SOP e disfunção tireoidiana.


Síndrome dos ovários policísticos (SOP) e disfunção tireoidiana, cada patologia com sua característica porém podem estar associadas. Mulheres com SOP (síndrome dos ovários policísticos) tem maiores níveis de TSH, 3x mais chances de desenvolver doenças autoimunes na tireoide, em especial tireoidite de hashimoto, além de chances de desenvolver nódulo na tireoide, o que vai impactar na qualidade de vida desta mulher com impactos metabólicos, cardiovasculares e reprodutivos. Para mulheres com SOP o ponto de corte de para um nível adequado de TSH, seria de 2,5mUI/L. O hipotireoidismo reduz o SHBG, condição já contemplada na síndrome dos ovários policísticos, com isso temos aumento dos hormônios androgênicos livres, agravando sintomas como queda de cabelo, hirsutismo, ciclos anovulatórios e acne. Uma outra condição agravada com níveis de TSH começam a aumentar é a resistência à insulina. A medida que aumentamos o TSH, há um aumento do índice HOMO-IR.

Os hormônios tireoidianos são muito importantes para uma gama de função no metabolismo da glicose. O hormônio tireoidiano aumenta a utilização da glicose, na função das células beta, na gliconegênese e na gligenólise no fígado, na captação intestinal de glicose. O T3 regula a homeostase da glicose em várias células.










O uso do extrato de camomila associado a metformina parece melhorar os níveis de TSH, T3 e T4, além de melhorar a atuação de enzimas antioxidantes. SOP X Hashimoto Outra associação prevalente é a da síndrome dos ovários policísticos e tireoidite de hashimoto, isso pode ocorrer devido a desequilíbrios de estrogênio e progesterona, variantes genéticas e deficiência de vitamina D. Mulheres com SOP tem níveis de estrogênio normal, no entanto a progesterona é muito baixa, devido aos ciclos anovulatórios. Mulheres com SOP não ovulam, não tendo assim corpo lúteo, não produzindo níveis adequados de progesterona. Esse desequilíbrio entre progesterona e estrogênio, pode ter uma relação com a positividade do anticorpo tireoperoxidase.

O estrogênio estimula o sistema imunológico aumentando a secreção de interleucina 1nos monócitos e interleucina 6 nos linfócitos Th2,interferon gama e TNF-a em células Th1, ou seja quando em desequilíbrio o estrogênio conduz nosso sistema imunológico a favor da autoimunidade. Em contraste, a progesterona tem efeitos inibitórios do sistema imunológico, bloqueando a proliferação linfocitária, diminuindo a explosão de citocinas de monócitos, reduzindo a expressão de interleucina 6, que é altamente envolvida nos processos autoimunes e alterando a secreção de citocinas a favor da interleucina 10 que é uma citocina inibitória. É fácil entender a partir dessa explicação que este desequilíbrio progesterona e estrogênio a partir de ciclos anovulatórios tem uma relação tão próxima com nossa imunidade. É sabido que as doenças autoimunes são mais prevalentes em mulheres em virtude do impacto dos hormônios sexuais no sistema imunológico, e ela é exacerbada em momentos como menarca e inicio da menopausa, justamente porque nesses períodos há uma insuficiência de progesterona frente aos estrogênios. Durante a gravidez à uma supressão dessas autoimunidades, justamente porque temos o predomínio da progesterona. Esse mecanismo explica a associação do ovário policístico com o hashimoto. RESTAURAR OS CICLOS MENSTRUAIS PODE REDUZIR O RISCO DE TIREOIDITE DE HASHIMOTO COM SOP Nódulos na Tireoide X SOP O TSH tem um importante papel na diferenciação e no crescimento das células tireoidianas, se o TSH esta alterado é mais comum apresentar nódulos na tireoide. Em mulheres com SOP o desenvolvimento de nódulos esta diretamente relacionado a progressão da resistência à insulina e a obesidade. O volume esses nódulos são reduzidos quando se melhora os níveis de insulina. Mulheres com SOP devem fazer um rastreio para nódulos na tireoide. Resumindo: Mulheres com SOP tem risco aumentado para hipotireoidismo subclínico e Hashimoto. Disfunções tireoidianas agravam todos os sintomas da SOP. Mulheres com SOP devem manter os níveis de TSH entre 1 e 2,5 mIU/L e níveis de T4 livre no terço superior da referência e anticorpos dentro da faixa de referência.

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