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Tireoide e gestação

Atualizado: Abr 28

Para a mulher com hipotireoidismo que deseja engravidar, saiba que o primeiro passo é otimizar seu tratamento, fazendo uso correto da medicação e mantendo as concentrações de TSH em valores de até 2,5 µUI/ml já antes da concepção, ok?

Isso é importante porque vários estudos mostram incidência aumentada de hipertensão gestacional em mulheres grávidas que apresentam hipotireoidismo declarado ou subclínico. Entretanto, a gravidade da hipertensão, assim como a incidência de complicações periparto, são maiores nas gestantes com hipotireoidismo declarado. O tratamento do hipotireoidismo, com normalização dos testes de função tireoidiana, diminui significativamente a incidência da hipertensão gestacional!!! A alta incidência de crianças com baixo peso está também relacionada à presença de hipertensão, que culmina com parto prematuro.

Como fica a tireoide na gestação?

A gravidez está associada com a necessidade aumentada de secreção hormonal pela tireóide desde as primeiras semanas após a concepção. Para que esta maior demanda ocorra, a gestação induz uma série de alterações fisiológicas que afetam a função tireoidiana e, portanto, os testes de avaliação da função glandular. Para as mulheres grávidas normais que vivem em áreas suficientes em iodo, este desafio em ajustar a liberação de hormônios tireoidianos para o novo estado de equilíbrio e manter até o término da gestação, geralmente, ocorre sem dificuldades. Entretanto, em mulheres com a capacidade funcional da tireóide prejudicada por alguma doença tireoidiana ou naquelas que residem em áreas de insuficiência iódica, isso não ocorre. O manejo de disfunções tireoidianas durante a gestação requer considerações especiais, pois tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem levar a complicações maternas e fetais. Além disso, nódulos tireoidianos são detectados, com certa freqüência, em gestantes, o que pode gerar a necessidade do diagnóstico diferencial entre benignos e malignos ainda durante a gestação.

No primeiro trimestre da gestação, ocorre estimulação direta da tireóide materna pelas concentrações elevadas de gonadotrofina coriônica (hCG). Este aumento, que atinge valores de pico entre a 8ª e a 14ª semana de gestação, é acompanhado por inibição do eixo hipotálamo-hipófise e, em face da reatividade cruzada com o receptor de TSH, promove aumento temporário do T4 livre.

Na maioria das gestações normais, esse efeito estimulatório da hCG sobre a tireóide é de curta duração e geralmente não detectável. Para ser clinicamente aparente e levar à tireotoxicose gestacional, os níveis circulantes da hCG devem estar acima de 50.000 a 75.000 IU/L e se manterem elevados durante períodos mais prolongados.

O que você precisa saber:

  1. Durante toda a gestação, ocorre modificação do metabolismo dos hormônios maternos.

  2. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a ingestão diária de 250 µg/dia de iodo para mulheres grávidas (150 µg/dia para não-grávidas).

  3. Ao contrário do que se pensava no passado, os hormônios tireoidianos maternos atravessam a barreira placentária, antes e após o início da função tireoidiana fetal.

  4. O TSH não ultrapassa a barreira placentária.

  5. Como as concentrações de T4 livre DIMINUEM durante a gestação, recomenda-se cuidado na interpretação de seus valores e que cada laboratório estabeleça sua faixa de normalidade para cada trimestre da gestação.

Indicações para a dosagem de TSH durante a gravidez em mulheres com maior risco para desenvolver o hipotireoidismo:

  1. Pacientes com hipotireoidismo estabelecido previamente à gestação, fazendo uso de tiroxina.

  2. Pacientes com bócio

  3. História de doença auto-imune tireoidiana (autoanticorpos tireoidianos positivos, história de tireoidite pós-parto, doença de Graves em remissão).

  4. História familiar de doença auto-imune tireoidiana.

  5. Portadoras de diabetes melito tipo 1 ou outra doença auto-imune (por exemplo: vitiligo, artrite reumatóide, síndrome de Sjogren etc.).

  6. Possível diminuição da reserva tireoidiana (história prévia de irradiação do pescoço, tireoidectomia parcial).

  7. Mulheres com antecedentes de parto prematuro ou aborto.

  8. A TRANSFORMAÇÃO DE T4 EM T3 DEVE SER SEMPRE QUESTIONADA E DEPENDE DE DIVERSAS SELENOPROTEÍNAS. ESTAS SELENOPROTEÍNAS DEPENDENDEM DO ZINCO, QUE TAMBÉM ESTÁ RELACIONADA COM O COBRE. E PARA A PRODUÇÃO DE HORMÔNIO TIREOIDEANO, O IODO É FUNDAMENTAL (EM DOSES FISIOLÓGICAS). E TODA A MILTIPLICAÇÃO CELULAR PARA A FERTILIDADE E GRAVIDEZ DEPENDE DAS REAÇÕES DE METILAÇÃO, QUE POR SUA VEZ SÃO DEPENDENTES DE VITAMINAS DO COMPLEXO B, VITAMINA D E ÔMEGA 3. por isso, faz todo sentido o acompanhamento nutricional especializado!

RISCOS DE UM HIPOTIREODISMO NÃO TRATADO NA GESTAÇÃO:

DIAGNÓSTICO DO HIPOTIREOIDISMO NA GESTANTE:

O diagnóstico clínico do hipotireoidismo na gestação é difícil de ser estabelecido, a não ser quando os sintomas e os sinais sejam muito óbvios.

Os principais sintomas: são cansaço e ganho de peso, apesar de apetite diminuído, o que, muitas vezes, pode ser atribuído à gestação per si. Outros sintomas incluem: queda de cabelos, constipação intestinal, intolerância ao frio (sintoma pouco usual na gestante normal). Cerca de 20% a 30% das mulheres não apresentam qualquer sintoma, apesar de testes de função tireoidiana claramente anormais. O bócio pode ou não estar presente. A freqüência cardíaca pode estar diminuída quando cotejada àquela esperada para a gestante normal. Na história, poderão ser identificadas irregularidades menstruais prévias à gestação, particularmente menorragia, o que se observa, com freqüência, em pacientes com hipotireoidismo leve.

A elevação de TSH sérico confirma o diagnóstico do hipotireoidismo primário. A distinção entre o hipotireoidismo subclínico e o declarado dependerá das concentrações de T4 livre, que estarão normais ou diminuídas para a idade gestacional, respectivamente. A determinação dos anticorpos antiperoxidase (antiTPO) e antitireoglobulina (anti-Tg) confirma a origem auto-imune do distúrbio.

Em breve postaremos os cuidados nutricionais para uma gestante com hipotireoidismo, ok? De qualquer maneira, consultem sempre um nutricionista especializado pra acompanhar antes, durante e após gestação, que é de extrema importância pra saúde da mãe e do bebê.

Comam algo saudável pela gente.

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