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Um caminho para o tratamento da depressão (intestino)

Atualizado: 30 de abr.

Depressão, uma das doenças que mais aumenta em todo mundo.

Depressão não é stress ou mero mal-estar – não é simplesmente uma perturbação psicológica – é uma doença biológica – que afeta o cérebro e o corpo, é uma doença. Provoca sintomas graves que afetam intensamente a vida do indivíduo.

Por isso, devemos dar grande atenção ao tratamento desta doença. Normalmente, casos de depressão são tratados com psicoterapias e/ou medicamentos. Muitas vezes, estas condutas parecem estabilizar o paciente, melhorar sinais e sintomas, no entanto, pergunto: será que isso é suficiente? Acredito que não. Será que a Nutrição pode ser efetiva nesse tratamento? Estou certa que sim.

Por ser uma doença que afeta o organismo por completo o seu tratamento deve ser abrangente, não podemos ser simplistas, não podemos tratar apenas os sintomas, temos que ter um olhar sobre o todo. Hábitos de vida saudáveis em todas as fases da vida, associados a uma alimentação variada, rica em alimentos in natura e minimamente processados, irão fornecer diferentes compostos ativos que atuarão na modulação de várias vias metabólicas. A combinação de uma dieta balanceada, acompanhamento psicológico e a prática de exercícios físicos pode ser a chave para a prevenção e até cura desta doença que atinge tantas pessoas.

Outro fator que está ligado ao quadro de depressão é o desequilíbrio intestinal, o intestino que não funciona bem apresenta irregular produção dos neurotransmissores, que são responsáveis pelo equilíbrio do humor e depressão.

A produção do neurotransmissor serotonina, responsável pela sensação de bem estar, tem sua produção em torno de 80% intestinal, assim tratar e reequilibrar a flora intestinal é muito importante para o aumento na produção de serotonina, podendo evitar a utilização de antidepressivos em quadros iniciais. Para isso vou focar neste post a explicação sobre o metabolismo do triptofano no intestino. Mas antes uma breve explicação sobre o triptofano. Triptofano é um aminoácido que participa de várias funções em nosso organismo, e uma delas é a produção de serotonina, um neurotransmissor que promove o controle da ansiedade e depressão e quadros de compulsão. Metabolismo microbioano do triptofano O intestino é um ecossistema complexo que possui uma comunidade densa e diversificada de microrganismos, conhecida como microbiota intestinal; a microbiota coevolui com o hospedeiro e, juntos, têm uma relaçãode simbiose. Devido a essa relação tão próxima, fica cada vez mais óbvio que a perda do equilíbrio desse ecossistema, a disbiose, leva a diversas doenças. O metabolismo do triptofano segue três vias principais no trato gastrointestinal: 1. a transformação direta de triptofano em diversas moléculas, incluindo ligantes do receptor de AhR (receptor aril hidrocarboneto), pela microbiota intestinal; 2. a via da KP (quirunenina) em células imunes e epiteliais via IDO (indoleamina 2 3-dioxygenase); 3. a via de produção de serotonina (5HTP).

Independente das vias os microorganismos presentes no nosso trato gastrointestinal participam desses mecanismos. Dessa forma, o metabolismo do triptofano na microbiota intestinal inclui a transformação direta do triptofano pelos microrganismos do intestino em diversas moléculas, doenças como depressão, autismo, ansiedade são afetadas por produtos finais do metabolismo do triptofano, sugerindo que os efeitos na microbiota são, pelo menos, parcialmente mediados pelo metabolismo prejudicado do triptofano. E qual seria a via mais importante a ser estimulada para melhorar quadros como depressão? De imediato pensamos na via 3 de produção de serotonina, já que esse é o neurotransmissor que atua diretamente na melhora da ansiedade e depressão mas o ideal é que se tenha um equilíbrio entre as três vias. Hoje sabemos que a inflamação de baixo grau influencia na homeostase dessas 3 vias.

Alguns estudos já evidenciam que pessoas com síndrome do intestino irritável, espondilite aquilosante e síndrome dos ovários policísticos têm chances maiores de desenvolver transtornos como ansiedade, compulsão e depressão. A inflamação de baixo grau leva a maiores chances de alteração da microbiota afetando nosso sistema imune inato, com isso observamos que pessoas com este quadro apresentam mais chances de dores articulares, doenças autoimunes, doenças pulmonares e atopias, aterosclerose, obesidade, alteração do sistema nervoso central. A depressão pode ter uma origem na inflamação intestinal de baixo grau, e isto pode ser derivado de uma inflamação do eixo HPA (hipotálamo-pituitária-adrenal).

E será que existe uma dieta ideal para modular inflamação intestinal de baixo grau e consequentemente atuar no tratamento da depressão? De acordo com estudo publicado na Nature (veja o artigo neste link), sim! A dieta de padrão do mediterrâneo teria uma ação na redução da inflamação. Na etiopatogênese (o que provoca uma doença) da doença inflamatória intestinal vemos que a microbiota tem total influência no desenvolvimento da mesma. Dieta com padrão ocidental, rica em açúcar, alimentos processados, excesso de proteína animal aumentam as chances de uma disbiose intestinal e consequentemente gera uma permeabilidade intestinal alterada e aumento da etiopatogênese da doença inflamatória intestinal que esta correlacionada a inúmeras doenças, como a depressão. Fica claro que se mantivermos ao longo de nossa vida uma dieta que promova o equilíbrio desse intestino, teremos uma maior diversidade de nossa microbiota com redução das chances de termos alteração na barreira intestinal e consequentemente um equilíbrio do nossos sistema imune. Veja na figura a influência da dieta do mediterrâneo X a dieta ocidental em nossa microbiota

Destaco ainda que uma dieta com restrição calórica, de acordo com este artigo demonstra ser eficaz por 8 semanas quando acompanhada por terapia complementar.

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